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Relógio raro foi vandalizado em dois momentos durante ataque golpista ao Planalto, diz PF

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Por André Miranda

14/05/2024 às 04:36:24 - Atualizado h√°
Além de homem que já é réu no STF, perícia aponta que outro invasor destruiu peça histórica de Balthazar Martinot trazida por Dom João VI. Os dois ataques foram em 8 de janeiro de 2023. Uma perícia realizada pela Polícia Federal nas imagens do circuito interno do Palácio do Planalto identificou que o relógio histórico de Balthazar Martinot foi danificado em dois momentos diferentes durante os ataques do dia 8 de janeiro de 2023.

A obra, trazida por Dom João VI para o Brasil em 1808, virou um dos símbolos dos atos golpistas na sede da Presidência. O relógio é feito de casco de tartaruga e com um bronze que não é fabricado há dezenas de anos. No começo deste ano, a peça foi enviada para restauro na Suíça.

De acordo com o laudo, os manifestantes ocuparam o 3¬ļ andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabiente do presidente Lula, por volta de 15h30. Três minutos depois, o relógio foi vandalizado pela primeira vez.

O momento foi gravado pelas câmeras de segurança. O invasor, vestido com uma blusa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi flagrado jogando o objeto no chão. Em seguida, ele atira um extintor de incêndio e tenta quebrar a câmera de segurança.

Ele foi identificado como Antônio Cláudio Alves Ferreira e está preso.

Veja como ficou relógio raro, do século 17, destruído em ataque terrorista no Palácio do Planalto

É #FAKE que relógio do século XVII foi destruído antes da invasão ao prédio

Antônio é réu no Supremo por crimes como associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima.

Relembre no vídeo abaixo esse primeiro ataque:

PF prende homem que destruiu relógio de Dom João VI durante os ataques em Brasília

A PF apontou que, após Ferreira jogar o relógio no chão, um homem e uma mulher colocam o armário que apoia a peça no lugar. Em seguida, devolvem o relógio para o local.

Minutos depois, um homem usando chapéu camuflado, camisa da seleção brasileira e uma bandeira do Brasil amarrada começa a circular no terceiro andar. O invasor se aproxima da peça e, 16h12, volta a jogar o relógio no chão.

O homem não foi identificado no relatório. Na sequência, manifestantes continuam circulando e agentes de segurança chegam a fazer dois disparos com arma de fogo contra os golpistas, mas deixam o local, que volta a ser ocupado pelos invasores.

Veja, nas fotos abaixo, os momentos em que o relógio é colocado de volta no móvel e, em seguida, derrubado novamente:

Primeiro, um casal de rostos cobertos levanta o relógio que tinha sido derrubado por Antônio Cláudio Alves Ferreira:

Manifestantes recolocam relógio histórico do Palácio do Planalto em móvel, após primeiro ataque

PF/Reprodução

Esta imagem mostra o relógio de volta ao móvel:

Relógio histórico do Palácio do Planalto recolocado em móvel, após primeiro ataque

PF/Reprodução

Pouco tempo depois, um segundo manifestante, de chapéu e uma bandeira do Brasil enrolada, derruba o relógio pela segunda vez:

Manifestante não identificado ataca relógio histórico do Palácio do Planalto

PF/Reprodução

A imagem abaixo mostra o relógio no chão, com peças espalhadas, após o segundo ataque:

Relógio histórico do Palácio do Planalto no chão, com peças espalhadas

PF/Reprodução

Peça rara

O relógio de pêndulo do século XVII foi um presente da Corte Francesa para Dom João VI. Balthazar Martinot era o relojoeiro do rei francês Luís XIV.

Existem apenas dois relógios deste autor. O outro está exposto no Palácio de Versailles, na França, mas possui a metade do tamanho da peça que foi destruída pelos invasores do Planalto.

O valor do relógio não foi informado.

Veja outras obras danificadas no Palácio do Planalto:

"As mulatas", de Di Cavalcanti: quadro foi encontrado com sete rasgos e peça tem valor está estimado em R$ 8 milhões.

"O Flautista", de Bruno Jorge: avaliada em R$ 250 mil, a escultura em bronze foi encontrada completamente destruída, com pedaços espalhados pelo chão.

"Bandeira do Brasil", de Jorge Eduardo: a pintura, que reproduz a bandeira nacional hasteada em frente ao palácio, foi encontrada boiando sobre a água que inundou todo o térreo do Planalto.

Escultura de parede em madeira de Frans Krajcberg: avaliada em R$ 300 mil, a peça teve galhos quebrados.

Mesa de trabalho de Juscelino Kubitschek: a mesa foi usada como barricada pelos terroristas.

Mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues: o móvel teve o vidro quebrado.
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