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Leilão do arroz: Fávaro minimiza falhas, fala em novas regras e diz que 'afastamento' de secretário permite investigação

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Por André Miranda

19/06/2024 às 14:21:55 - Atualizado h√°
Ministro da Agricultura fez as afirmações na Câmara. Após suspeitas de irregularidades, leilão para importação de arroz foi anulado e secretário de Política Agrícola demitido. Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em foto do dia 9 de novembro de 2023.

Guilherme Martimon/MAPA

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), minimizou nesta quarta-feira (19) as possíveis irregularidades no leilão para compra de arroz importado, que foi anulado pelo governo após supostas fraudes serem identificadas (leia mais aqui).

Fávaro deu as declarações durante audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, para a qual foi convidado a dar explicações sobre estoques públicos e a necessidade de importação do cereal.

"Anulou o processo porque faz parte, e é num ato da gestão, combater qualquer tipo de conflito de interesse. É a prevenção. É a prevenção. Não se trata de juízo de valor. [...] É muito importante dizer que a exoneração do ex-ministro Neri Geller não se trata de um ato de juízo de valor", disse Fávaro.

Ele também disse que o governo vai realizar um novo leilão, com novas regras para a participação de empresas.

"A CGU e a AGU estão ajudando na construção de um novo edital, para que a gente possa nos antecipar a saber quem pode estar sendo habilitado e os requisitos necessários. [...] A qualificação passa a ter a participação da Conab anteriormente para não ficar sabendo só depois quem participou e se tem capacidade de entrega", afirmou o ministro da Agricultura.

Demissão de secretário

Suspeitas de irregularidades levam governo a anular o leilão de arroz importado

Sobre a demissão de Neri Geller, ex-secretário de Política Agrícola, Fávaro disse que o "afastamento" de Geller foi feito após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E que a medida permite a investigação das supostas irregularidades. A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar o caso.

Um ex-assessor de Geller, que também é sócio do filho dele em uma empresa, foi um dos negociadores do leilão. Entidades agrícolas e membros da oposição apontaram um suposto favorecimento da corretora do ex-funcionário de Neri Geller na concorrência.

A demissão de Geller foi anunciada por Fávaro no dia 11, junto do anúncio do cancelamento do leilão. Na ocasião, o ministro da Agricultura disse que o próprio secretário havia pedido demissão. À imprensa, Geller negou ter pedido a saída da pasta

Em audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara, Neri Geller afirmou somente ter conversado com Fávaro e dito não ter envolvimento com as supostas fraudes.

"Eu não devo. E, por isso, que eu fiquei chateado, sim, com o ministro da Agricultura com a forma como eu saí do governo", disse.

Segundo ele, embora a decisão tomada por Fávaro seja "legítima", o chefe da Agricultura poderia ter decidido por um afastamento até que "todos os pontos" fossem esclarecidos.

"Não saí a pedido. Eu não devia. Eu não devo. Poderia ter me afastado para esclarecer todos os pontos. Não seria justo eu simplesmente sair e isso ficar pelo diz que me disse", afirmou o ex-secretário.

"Apesar do ato falho de ter o filho ligado com a empresa que operou esse leilão, não teve nada de errado que possa sofrer condenação. Mas precisa ser investigado. Por isso, o presidente Lula determinou que a CGU faça a investigação, que e a Polícia Federal faça a investigação. É fundamental para transparência, isso dá credibilidade às ações do governo", disse.
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