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Padilha ganha força após ataque de Lira, avaliam auxiliares de Lula

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Por André Miranda

12/04/2024 às 13:02:30 - Atualizado h√°
Atuação de Padilha é questionada pelo centrão e até por setores do governo, mas aliados de Lula entendem que ataques de Lira vão fortalecer apoio do presidente ao ministro. O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva

MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que as declarações duras do presidente da Câmara, Arthur Lira, contra o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, acabam fortalecendo a permanência dele no cargo, ou seja, provocam o efeito contrário ao pretendido por Lira.

Ainda que haja uma pressão dentro e fora do governo pela troca de Padilha, esses assessores do presidente lembram que quando Lula se sente muito pressionado, com "a faca no pescoço", aí é que não cede mesmo. Um ministro próximo brincou que Lula "é de escorpião" e, quando se sente cobrado a fazer algo, "empina a carroça".

Lira vem gradativamente subindo o tom contra Padilha. Ontem, fez a declaração mais incisiva, ao dizer que o ministro é "incompetente" e seu "desafeto pessoal". Sem citar a declaração, Padilha respondeu com uma postagem nas redes sociais, em que menciona elogios de Lula ao trabalho dele no governo. Nesta sexta-feira (12), o ministro voltou a falar no assunto e citou um trecho de uma música do rapper Emicida: "mano, rancor é igual tumor."

Deputados petistas saíram em defesa do correligionário. Lindbergh Farias (PT-RJ) adotou um tom duro contra o presidente da Casa. "Quem Lira pensa que é? O presidente da República é Luiz Inácio Lula da Silva, eleito com 60,3 milhões de votos! Ministro tem minha total e irrestrita solidariedade. Padilha trabalha em harmonia com o presidente Lula."

Pressão contra Padilha

O presidente da Câmara lidera uma pressão de um setor do centrão para que Padilha seja substituído por um nome mais alinhado ao grupo. O movimento tem eco dentro de uma ala da bancada do PT na Câmara. Também há fogo amigo dentro do próprio governo, de ministros que se queixam com frequência da Secretaria de Relações Institucionais.

Entre aliados mais próximos de Lula, há quem defenda que Padilha seja deslocado para o Ministério da Saúde, no lugar de Nísia Trindade, abrindo espaço para que o líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE), que tem boa relação com Lira e o centrão, assuma a Secretaria de Relações Institucionais. Nesse desenho, Padilha "cairia para cima", ou seja, assumiria um posto de igual ou maior prestígio que o atual.

Lira tem se recusado a conversar com Padilha desde o final de 2023. Entre as acusações, o deputado diz que o ministro descumpre acordos sobre vetos presidenciais, privilegia prefeituras aliadas no repasse de emendas e que é responsável por vazar informações à imprensa contra o presidente da Câmara.

Diante desse cenário, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, assumiu a interlocução direta com Lira, enquanto Padilha intensificou o diálogo com outras lideranças do Congresso. A situação reforçou uma disputa velada que ocorre nos corredores do Planalto entre Padilha e Rui Costa.

Para auxiliares de Lula, Lira quis responsabilizar alguém pela derrota na manutenção da prisão de Chiquinho Brazão. "Se tinha dúvida que ele estava enfraquecido com a derrota do Brazão, essa dúvida se dissipou", afirma um aliado do presidente.

Um ministro que despacha quase todos os dias com Lula afirma que "fazer crítica é normal, mas Lira passou do ponto". "Na política não pode desandar assim. Agora o que se fala é quem está mais fraco, Lira ou Padilha".
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