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'Esta cadeira estar comigo é uma cagada', disse Bolsonaro durante reunião com ministros

Sigilo de vídeo do encontro foi retirado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (9).

Por André Miranda

09/02/2024 às 14:53:29 - Atualizado h√°
Sigilo de vídeo do encontro foi retirado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (9). Gravação faz parte de investigação sobre tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro dispara ataques aos ministros do STF durante reunião ministerial de julho de 2022

O então presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, na reunião convocada com ministros em julho de 2022 para discutir as eleições, que o fato de ocupar a Presidência da República era uma "cagada".

"Essa cadeira aqui é uma cagada, estar comigo é uma cagada. Vou explicar a cagada. Não vai ter uma cagada dessa no Brasil. Cagada do bem, deixar bem claro", afirmou.

O vídeo do encontro foi apreendido pela Polícia Federal em um computador de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que fechou acordo de colaboração premiada. O sigilo da gravação foi retirado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (9).

A reunião da alta cúpula do governo ocorreu em 5 de julho de 2022. À ocasião, Bolsonaro disse a ministros que era necessário agir antes das eleições para que o Brasil não virasse "uma grande guerrilha".

No momento da frase sobre ocupar a Presidência da República, Bolsonaro fazia uma crítica a ministros do STF. Em seguida, voltou a reforçar que sua eleição foi incomum.

"Como é que eu ganho uma eleição? Um fudido, um fudido como eu, deputado baixo clero, escrotizado dentro da C√Ęmara, sacaneado, gozado. Uma porra de um deputado, uma porra de um deputado, de 513. Não consigo entender como alguns não entendem o que está acontecendo."

A gravação é uma das peças que embasaram a operação da PF contra militares e ex-ministros suspeitos de participarem de uma tentativa de golpe de Estado.

Segundo a PF, na reunião, o então presidente ordenou a disseminação de informações fraudulentas para tentar reverter a situação na disputa eleitoral.

"Nós sabemos que, se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha, uma fogueira no Brasil. Agora, alguém tem dúvida que a esquerda, como está indo, vai ganhar as eleições? Não adianta eu ter 80% dos votos. Eles vão ganhar as eleições", disse.

As supostas fraudes eleitorais alegadas por Bolsonaro ao longo de quatro anos de mandato nunca existiram. A lisura do processo e a confiança no resultado foram reafirmadas por autoridades nacionais e internacionais, diversas vezes.

A operação

Havia 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva para serem cumpridos na operação Tempus Veritatis (que significa "hora da verdade", em latim), que foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Veja aqui todos os alvos da operação.

O passaporte de Jair Bolsonaro foi apreendido e ele está proibido de falar com os investigados.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi alvo de um mandado de busca, mas acabou preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Uma pepita de ouro foi apreendida com ele.

Na sede do PL, foi encontrado na sala de Bolsonaro um documento que defende e anuncia a decretação de um estado de sítio e da garantia da lei e da ordem no país.

O relatório da PF afirma que o grupo agia em seis núcleos para organizar uma tentativa de golpe de Estado. Veja detalhes aqui.

Nomes próximos ao ex-presidente, como Braga Netto e Augusto Heleno, também foram alvos de busca e apreensão.

O ex-assessor especial de Bolsonaro Filipe Martins, que, segundo a PF, foi quem entregou a minuta do golpe a Bolsonaro, e mais dois militares foram presos. Um quarto mandado de prisão foi expedido contra um coronel, mas ele não foi detido porque estava nos Estados Unidos, mas já será trazido ao Brasil. Veja aqui os motivos da Procuradoria-Geral da República para pedir as quatro prisões.

A operação mirou ainda o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, com quem já havia sido encontrada uma minuta do golpe, e o ex-assessor de Bolsonaro Tércio Arnaud, apontado como integrante do chamado "gabinete do ódio". Eles são acusados de integrar um núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral.

O advogado Amauri Feres Saad, que teria prestado assessoria jurídica para a elaboração da minuta, também foi alvo da PF.

Outro alvo foi um padre católico conservador de Osasco (SP) que, segundo a PF, assessorava na elaboração de minutas de decretos golpistas.

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